Blog

O que falta à inovação social? Dados? Confiança? Ambos?

Autoria

Lisboa Invisível

Data

20 JUL 2026

O que falta à inovação social? Dados? Confiança? Ambos?

Será que estamos a medir o que realmente importa? 

Antes mesmo de o Lisboa Invisível produzir mapas, dados ou artigos, uma pergunta já orientava o projeto. E esta semana, durante a 17.ª Conferência da International Society for Third Sector Research (ISTR), percebemos que esta pergunta está longe de ser apenas nossa.

Sob o tema Imagining the Next Generation: Strengthening the Foundations of the Third Sector, investigadores, organizações da sociedade civil, fundações e decisores públicos discutiram o futuro da inovação social.

Uma ideia atravessou muitas das sessões: não conseguiremos resolver problemas sociais complexos enquanto continuarmos a produzir conhecimento distante das pessoas que os vivem.

Foi impossível não pensar no percurso do Lisboa Invisível.

Principais insights:

1.Não recolher dados. Construir conhecimento.

Recolher informação é relativamente simples.

Construir conhecimento exige confiança.

Exige tempo.

Exige regressar e validar.

Uma participante no congresso resumiu um problema que conhecemos bem:

“Vocês vêm, recolhem informação… e depois nunca mais voltam.”

A frase não era uma crítica à investigação.

Era uma crítica à forma como se produz conhecimento.

Em tratar pessoas em situação de vulnerabilidade como fontes de informação, quando poderiam ser produtoras de conhecimento.

2.A inovação social mede-se pelo impacto que se deixa.

Como tornar o projeto de pesquisa sustentável ou como tornar o impacto sustentável?

O Lisboa Invisível nunca pretendeu ser apenas um espaço digital.

Pretende testar uma forma diferente de produzir conhecimento.

Se esta metodologia vier a influenciar a forma como instituições públicas recolhem dados, desenham políticas ou envolvem comunidades, então o verdadeiro impacto terá começado precisamente mesmo quando os 18 meses de projeto terminar.

3.A academia não pode trabalhar sozinha.

Uma das mensagens mais fortes da conferência foi a necessidade de aproximar universidades e organizações da sociedade civil.

Para nós esta colaboração nunca foi acessória.

É estrutural.

As organizações parceiras ajudam-nos a chegar às pessoas.

As próprias pessoas ajudam-nos a compreender aquilo que os indicadores não mostram.

E a investigação procura devolver esse conhecimento em forma de recomendações e ferramentas úteis para quem intervém diariamente no terreno.

Não existe produção de conhecimento relevante sem relações de confiança.

4.Antes de mudar políticas, é preciso mudar narrativas.

Foi por isso que, durante o Showcase da conferência, escolhemos apresentar uma ferramenta aparentemente simples: o nosso quiz sobre mitos e factos, para mexer com as narrativas estigmatizadas que nem imaginamos ter.

Antes de transformar políticas públicas, precisamos igualmente transformar aquilo que a sociedade acredita saber.

Porque a invisibilidade nasce também das narrativas que repetimos sem questionar.

Saímos da ISTR com a sensação de que o Lisboa Invisível já participa numa conversa muito maior.

Sobre o futuro das políticas públicas.

Mas, acima de tudo, já participa da conversa sobre quem tem o direito de produzir conhecimento.

Talvez seja essa a principal contribuição: garantir que a experiência das próprias pessoas conste na construção das soluções.

ISTR

Sobre a ISTR

A International Society for Third Sector Research (ISTR) é uma associação internacional que reúne investigadores, universidades e organizações da sociedade civil dedicadas ao estudo do terceiro setor, da filantropia, da economia social e da inovação social. A sua conferência bienal é um dos principais encontros mundiais para a partilha de investigação e de práticas neste domínio.

Type your paragraph here

Partilhar Investigação

Discover more from Lisboa Invisível

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading