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Encontros que abrem redes: Anna Lindh Foundation

Autoria

Lisboa Invisível

Data

23 JUN 2026

Encontros que abrem redes: Anna Lindh Foundation

O Lisboa Invisível esteve presente no Encontro Anual da Rede Portuguesa da Anna Lindh Foundation, realizado em Montemor-o-Novo, nos dias 16, 17 e 18 de junho, representando o CRIA – Centro em Rede de Investigação em Antropologia.

Foram três dias de conversas, partilhas e encontros entre organizações que trabalham, em diferentes territórios e contextos, com aquilo que costuma ficar de fora dos discursos dominantes.

O que é a Fundação Anna Lindh

A Fundação Euro-Mediterrânica Anna Lindh (FAL) é uma instituição partilhada por 42 países da região euro-mediterrânica, com a missão de promover o diálogo intercultural e o conhecimento mútuo entre sociedades das margens norte e sul do Mediterrâneo. A Rede Portuguesa, formada em 2005 em simultâneo com a criação da própria Fundação, é hoje composta por cerca de 100 organizações de áreas tão diversas como a cultura, a educação, os direitos humanos, a migração e a investigação social. 

Para o Lisboa Invisível, estar numa rede que pensa o diálogo intercultural como prática quotidiana, e não como conceito decorativo, fez todo o sentido.

Um espaço para pensar em conjunto

O encontro reuniu organizações da sociedade civil e outros atores envolvidos na promoção do diálogo e da cooperação, aprofundando redes de colaboração a partir da partilha de experiências e da reflexão sobre desafios comuns.

Surgiram discussões que permitiram confrontar perspetivas diferentes sobre os desafios atuais das organizações e iniciativas comunitárias. Ouvimos experiências desenvolvidas em territórios e contextos muito distintos (do Alentejo ao Porto, de Lisboa às ilhas) e percebemos que, apesar das diferenças, há perguntas que atravessam todos os campos:

  • Como ampliar a participação sem reproduzir as desigualdades que dizemos querer combater?
  • Como produzir conhecimento com as comunidades, e não sobre elas?
  • Como fortalecer redes de colaboração entre investigação, intervenção social e sociedade civil?

As intervenções revelaram convergências, mas também formas distintas de entender a participação, abordagens diferentes à produção de conhecimento e visões plurais sobre o papel de cada organização na transformação social.

Encontro Anual da Rede Portuguesa da Anna Lindh Foundation 2026

Participantes no Encontro Anual da Rede Portuguesa da Anna Lindh Foundation, realizado em Montemor-o-Novo. Fotografia: Lisboa Invisível

O que levámos do Lisboa Invisível

Enquanto observatório dedicado a tornar visíveis narrativas, percursos e experiências frequentemente ausentes dos discursos dominantes sobre a cidade, o Lisboa Invisível teve a oportunidade de partilhar a sua abordagem.

Apresentámos o trabalho desenvolvido nos últimos meses — os workshops de cocriação em parceria com a Comunidade Vida e Paz, o GAT, o Coletivo MANAS e a Serve the City Lisbon —, destacando a importância de construir conhecimento a partir das experiências vividas pelas próprias pessoas e de questionar as leituras mais imediatas sobre fenómenos urbanos e sociais.

A receção foi muito positiva. Estabelecemos conversas com participantes que enfrentam desafios semelhantes nos seus próprios contextos. Surgiram pontos de contacto em torno de três eixos:

  • a produção colaborativa de conhecimento como prática ética e política;
  • a valorização das narrativas marginalizadas;
  • a urgência de criar formas mais inclusivas de participação.

O que aprendemos

Saímos do encontro a pensar mais uma vez nas perguntas que orientam o nosso trabalho. Em particular: como evitar que a participação se torne um termo de uso fácil, repetido em projetos e candidaturas, sem que mude verdadeiramente as relações de poder entre quem investiga, quem intervém e quem vive os fenómenos sociais que se propõe estudar?

A antropóloga Donna Haraway chamou a esta atenção responsabilidade situada: produzir conhecimento sem esquecer a partir de onde se produz, com quem se produz e em nome de quem. As discussões do encontro foram, em muitos momentos, exercícios de responsabilidade situada entre organizações que reconhecem as suas tensões internas e estão dispostas a pensá-las em conjunto.

Pistas para o futuro

Saímos com a sensação de que, perante desafios complexos, pensar e agir em conjunto continua a ser uma das ferramentas mais importantes de que dispomos. E com vontade de manter abertas as conversas iniciadas em Montemor-o-Novo.


Sobre a Rede Portuguesa da Fundação Anna Lindh

A Rede Portuguesa trabalha para melhorar a possibilidade de troca de processos de construção coletiva, com foco na interculturalidade e no diálogo, fenómenos que exigem hoje uma compreensão particular das relações sociais e das comunidades à escala global. 

Site oficial da Fundação Anna Lindh
Instagram: @fundacao_anna_lindh

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