Histórias

Saúde Mental na Rua

Autoria

Ana Luisa Souza Melo

Data

26 MAI 2026

Saúde Mental na Rua

S., de 45 anos, é uma das muitas mulheres que se encontram em situação de sem-abrigo após fugirem de situações de violência doméstica. A sua história é marcada por trauma, resistência e a luta diária pela recuperação da dignidade.

‘Vivi 15 anos num inferno’, conta S., referindo-se ao casamento abusivo do qual finalmente conseguiu escapar. ‘Quando saí de casa, não tinha para onde ir. Os abrigos estavam lotados e eu não podia voltar para a família porque ele ameaçava-os também.’

S. desenvolveu ansiedade e depressão como resultado dos anos de abuso psicológico e físico. Na rua, estas condições agravaram-se, criando um ciclo vicioso que dificulta a sua reintegração social.

‘As pessoas têm medo de mim quando tenho crises de ansiedade’, explica S. ‘Pensam que sou louca, perigosa. Não entendem que é uma doença, que preciso de tratamento e não de julgamentos.’

A falta de acesso a cuidados de saúde mental adequados é um dos maiores obstáculos que S. enfrenta. Embora o Serviço Nacional de Saúde ofereça apoio psicológico, as listas de espera são longas e as consultas espaçadas.

‘Há dias em que não consigo sair do sítio onde durmo’, conta S. ‘A depressão é como um peso que me prende. Mas sei que tenho de lutar, senão nunca mais saio desta situação.’

S. encontrou algum apoio numa associação local que trabalha com mulheres vítimas de violência doméstica. Participa em grupos de apoio e faz pequenos trabalhos de limpeza quando a sua condição mental permite.

‘Quero recuperar a minha vida’, afirma S. com determinação. ‘Quero ter uma casa, um trabalho estável, e talvez ajudar outras mulheres que passaram pelo que eu passei.’

A história de S. ilustra como a violência doméstica pode levar ao sem-abrigo e como a saúde mental é fundamental para a recuperação e reintegração social das pessoas em situação de vulnerabilidade.

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