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Bolo, caos e carinho: o celebrar como ferramenta de resistência

Autoria

Júlia Mello

Data

20 OUT 2026

Bolo, caos e carinho: o celebrar como ferramenta de resistência
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“Quando você constrói um sentido de pertencimento a partir da celebração, está abrindo a possibilidade de pensar coletivamente uma experiência de vida” – Luiz Antonio Simas, professor de história e escritor brasileiro.

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Fotógrafo: Bruno Badan

No dia 23/09, o Largo do Intendente se transformou em mesa posta, palco e roda de convivência para manifestar pelo direito à cidade, à cultura e à existência. A primeira edição de “Bolo, caos e carinho” reuniu mais de 200 pessoas que acreditam na potência de uma vivência comunitária. 

Escolhemos celebrar porque, para muitos, existir já é um ato político. Celebramos quem é empurrado à margem e tratado como paisagem, estatística ou incômodo, numa cidade cada vez mais adaptada para quem apenas a visita e consome, e não para quem a vive, trabalha e cuida. A alegria, quando é coletiva e acontece em espaço público, incomoda quem prefere certas vivências invisíveis, caladas e longe do centro. Por isso ocupamos e reivindicamos uma cidade que se constrói através da diversidade e se fortalece na integração. 

Fotógrafa: Lua Eva Blue 

Foi uma noite de muita vida. As pessoas cantaram, riram, dançaram, celebraram, resistiram. Teve performances e artistas que chegaram para somar. Teve bolo e parabéns, claro. Teve o caos maravilhoso de um espaço diverso, alegre e acolhedor. E teve muito carinho, daquele que não se fabrica em planilhas nem compra, mas que acontece de forma autêntica quando as pessoas se conectam através de um propósito.

Fotógrafo: Bruno Badan

Para nós, a cultura não é enfeite nem produto para vender ao visitante. Ela é ferramenta de luta. É por meio da música, do corpo, da comida partilhada e da arte que traduzidos o que é difícil dizer, afirmamos quem somos e reivindicamos o que nos pertence: o direito de estar, de ficar e de fazer parte.

Esse movimento foi realizado coletivamente por muitas mãos que só queriam ajudar e fazer acontecer, juntas, um pedaço real desse sonho que é viver em comunidade e com respeito as diferenças. Não houve patrocinadores e nem grandes estruturas. Houve gente que acredita na construção dessa realidade. E vimos que basta apenas que se abra o espaço para isso se materializer. Quando abrimos, as pessoas aparecem e mostram, na prática, como o cuidado comunitário existe e funciona.

O pertencimento que nasce da festa não acaba quando desmontamos as mesas. Ele permanece em cada pessoa e abre caminhos para imaginarmos coletivamente outras formas de viver a cidade, em que ninguém seja invisível e em que o cuidado comunitário seja regra, e não exceção. Assim, Bolo, caos e carinho procura ser esse momento que nos lembra que, mesmo quando tantas coisas parecem querer separar, silenciar ou invisibilizar, ainda podemos criar espaços para estarmos juntes, para escutar, para cuidar e para celebrar, com dignidade.

Deixamos aqui um enorme agradecimento a cada um dos coletivos (@Manas; @tundra.coletivo), associações, artistas (@a.stre.a; @vinigaroom; @hello.guigo; @debaixo_da_pele; @daisy.x4x; @lambonaspins; @bloomayaarts; @baby_la_veneno; @marianaideias; @pessoapadua; @filipa_0raposo; @marisadbernardes; @nar.scissors; @pesa.deloo; @isabelbernardessilva; @mo_so.mo; @galhanas; @listen_to_your_arte) e pessoas que se somaram a esse movimento. Que a rua e as festas na rua possam continuar a ser lugares de encontro, de voz, de criação e de dignidade. Que o Largo seja de quem o habita. E que a cidade seja de todes, e não só de quem pode pagar por ela. 

Voltaremos a ocupar dia 04 de Novembro. Venha com a gente!

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